Ódio do PT e da Dilma.

Faço um esforço muito grande para entender o ódio ao PT que algumas pessoas estão expressando por ai. Nem tem manifestação de rua, apenas uma conversa de bar, quando por algum motivo o nome do Partido ou da Presidente surge, as pessoas vociferam insultos. Dizem que o partido está cheio de ladrões e que são culpados por tudo que está acontecendo de errado no Brasil. A Presidente Dilma recebe uma penca de adjetivos e acusações moram aos borbotões.

Os petistas estão assustados com tanto ódio. Eles listam um monte de políticas públicas e dizem que todas foram feitas pelo Partido. Na educação superior mostram que a política de cotas, o ciência sem fronteiras, o PROUNI, o FIES... Todos foram programas implementados pelo PT e os jovens beneficiados por esses programas são os mais raivoso contra o governo comandado por Dilma e pelo Partido.

A ódio ainda está na classe média, a primeira a ser atingida pela recessão e pelas altas de preços. O problema é quando os efeitos da crise atingirem a grande massa, o povão. A classe média é coxinha, mas o ódio do povão é um pouco mais difícil de controlar.

Os pobres eram pobres, seus pais eram pobres, seus avós também eram pobres. Ser pobre neste país injusto sempre foi uma sina. As pessoas nasciam assim e morriam assim. Os programas sociais chegaram, foram bons, foi uma tentativa de distribuição de rendas e que não pode retroceder. Pois uma coisa é nunca ter tido. Outra bem diferente é ter um pouquinho que seja e depois retirarem esse pequeno bom bom.

O Governo e a classe dirigente precisa ter responsabilidade com o futuro do Brasil. Uma coisa é ódio ao PT e a Dilma, outra bem diferente é colocar em risco o Brasil.

PEC da Bengala ou da senilidade jurídica

Você já ouviu falar na PEC 475/2005? Não. PEC você sabe, é a abreviatura para projeto de emenda constitucional. Pronto, a primeira parte do enigma está esclarecido. Quando você ouvir falar em PEC, saiba que querem mudar alguma coisa na nossa Carta Magna. Geralmente as PECs vem acompanhada de um número de ordem e isso não quer dizer nada para o leigo, e as vezes nem para os parlamentares com baixa frequência no parlamento. Para facilitar o entendimento, as PECs recebem um apelido, com o qual se popularizam.

A PEC 475 foi apelidada de PEC da Bengala. Mas ainda assim muita gente não consegue saber do que se trata apenas pelo nome que deram a esse projeto de emenda constitucional. Bengala lembra velhice, idade avançada, terceira idade. Mas nem todos os idosos usam bengala, bengala é sinal da aristocracia. São idosos aristocratas que usam bengala.

A emenda refere-se a idade e a uma classe distinta.

O que os deputados querem alterar então?

Chega de enrolação. Vamos logo desvendar esse mistério. O desejo da emenda constitucional é alterar a idade de aposentadoria dos magistrados de 70 para 75 anos.

A emenda quer, na verdade, impedir que a presidente Dilm nomeia mais cinco ministro para o STF  e assim, controle a corte Constitucional do país. Os ministros Celso de Mello, Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, Teori Zavascki e Rosa Weber, serão aposentados pela chamada expulsória, as 70 aos de idade.

O PT, a mais de 16 anos no poder, pode indicar membros para os tribunais superiores do país em número tal que colocou em cheque a independência da cúpula do judiciário brasileiro, mas querer se aproveitar de uma fragilidade política da presidente para alterar a idade de aposentadoria compulsória dos membros da cúpula do Poder Judiciário é uma golpe duro na democracia brasileira.

Tudo começou quando o presidente Fernando Henrique Cardoso alterou a Constitui'ão ederal para permitir a reeleição sem alterar os outros artigos que sofreriam com a permanência maior do chefe do Executivo. Era importante, naquela época, fazer uma reforma, retirando ou alterando o sistema de freios e contrapesos, típicos da República.

Alterar a idade de aposentadoria dos magistrados não diz respeito a expectativa de vida do indivíduo, mexe com a carreira da magistratura e permite que a cúpula do judiciário brasileiro fique intacta por até 40 anos. O Poder Judiciário é conservador por excelência, o que faz a dinâmica é a presença dos advogados com o debate de teses novas que viram jurisprudência nas corte superiores. A manutenção de um mesmo julgador por 40 anos, significa manutenção de jurisprudência e o engessamento de debate jurídico, tão caro a cidadania.

O executivo e o legislativo se renovam a cada quatro anos. O Judiciário precisa se renovar. O deputados podem até alterar a idade para o magistrado se aposentar, mas deveriam pelo menos estabelecer mandatos e alterar a forma de indicação, permitindo um processo mais aberto e participativo. Apenas alterar a idade de 70 para 75 anos é oportunismo dos atuais ocupantes de cargos no limite de aposentar-se e também dos partidos que postergaram a indicação para punir Dilma e deixar que as indicações sejam feitas pelo próximo presidente, que pode ser um dos caciques políticos patrocinadores da PEC da Bengala.

O PSDB e o PT geraram “aurelianos” com rabos de porco



Tenho ouvido com muita tristeza as noticias escabrosas sobre a operação “Lava Jato”, envolvendo valores astronômicos desviados da Petrobrás. O desvio envolve políticos e partidos diversos, com o peso maior caindo sobre as costas do PT por duas razões, embora o iniciador de tudo isso tenha sido o PSDB.

O PT está no governo a mais de 12 anos e havia se encontrado “bandalheira” do período do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso, que deveria ter denunciado, apurado, prendido e corrigido o rumo das coisas na empresa. Mas não o fez, resolveu aderir a mesma prática, sofisticar a forma de retirar dinheiro público para fazer caixa de campanha e financiar as atividade políticas.

O PT se formou, cresceu e chegou ao poder do País prometendo moralidade absoluta e combate a qualquer forma de corrupção, bem como implementar a reforma política que permitisse que pessoas de qualquer nível social, não importando o patrimônio, pudesse participar das eleições para cargo público em pé de igualdade.

Dito isto, quero agora fazer uma constatação que sei ser polêmica, mas é a opinião de uma pessoas que está na janela, olhando as coisas há muitíssimo tempo. Parecendo aquela vizinha mais antiga da rua que tudo sabe e tudo vê, assim como Úrsula Igurán, de Cem Anos de Solidão, do genial Gabriel Garcia Marques.

Não é que eu seja velho, mas é que comecei a participar da política bem jovem e até aqui vi muito acontecer. Quem enfraqueceu a Petrobras e a entregou nas mão dos políticos foi o PSDB e Fernando Henrique Cardoso.

A Petrobras, junto com a companhia Vale do Rio Doce e a DOCEGEO, era uma empresa forte, representando o orgulho do povo brasileiro. Sempre foi muito respeitada no mercado por causa da competência técnica de seus funcionários, que nunca deixaram a peteca cair e mantiveram por muito tempo, o espirito do “Petróleo é Nosso”.

Os petroleiros eram muito respeitados. Tinham uma organização sindical forte, combativa e vigilante em relação a saúde da empresa. Mantiveram sempre a roubalheira e as indicações políticas fora da estatal, pois tinha pela Petrobras um amor idealista, nascido na luta dos nacionalistas brasileiros que junto com Getúlio Vargas construíram o modelo econômico de empresas estatais fortes e estratégicas nas mão e sob o controle do Estado.

Os petroleiros, aliados aos urbanitários, às telefônicas e funcionários da Vale do rio Doce, forma decisivos na organização do melhor e mais combativo movimento sindical deste país.

Sindicalistas de boa estirpe, que tinham limites até no corporativismo. Colocando os interesses da sociedade e das empresas estatais sempre acima dos seus próprios interesses. Eram o que havia de melhor na tradição sindical de esquerda séria, que vinha da época dos comunistas do velho Partidão. Aqui rendo homenagem ao ilustre paraense Sá Pereira, sindicalista que junto com os petroleiros paraenses, viu a sede da Serzedelo Corrêa, hoje em escombros, ser invadida pelos militares durante a Ditadura.

No governo de Fernando Henrique Cardoso, o PSDB aderiu a tese do estado mínimo e do estado regulador. O estado não era bom gestor e nem era seu papel atuar na economia. A iniciativa privada fazia isso muito melhor, com mais agilidade e sem a interferência dos políticos.

O ministro Sérgio Motta, foi escalado para comandar um grande processo de privatização, primeiro no setor de telecomunicações, depois na Vale e em seguida no setor de petróleo.

Sérgio Motta foi também o articulador político de Fernando Henrique para aprovação da emenda da reeleição. Na época, choveram denuncias de compra de votos parlamentares para aprovação da emenda, até uma CPI foi ensaiada no Congresso Nacional e abortada depois que o PMDB, sempre ele, saiu da sombra e conquistou dois ministros, Iris Rezende na Justiça e Elizeu Padilha nos Transportes.

Venderam para o povo - e a imprensa aderiu - como cereja desse bolo, a regulação através das poderosas agências reguladoras e a possibilidade de investimentos privado no setor, além de usar o dinheiro da venda para equilibrar a economia, acabar com a inflação e investir em áreas sociais. Um plano para lá de perfeito.

Os petroleiros reagiram em uma greve monumental que incomodou Fernando Henrique e Sérgio Motta. O PSDB então percebeu que não teria sucesso sem derrotá-los.

A greve começo para exigir o cumprimento de uma acordo salarial de 1994, firmado na presença do presidente da república, Itamar Franco, pelo Ministro da Minas e Energia, mas passou a ser a batalha decisiva contra a entrega das grandes empresas e de grandes setores da economia nas mãos do estado para iniciativa privada.

Os petroleiros resistiram bravamente as investidas do Governo, que para massacrá-los, usaram a imprensa para jogar o povo contra a greve e até as  tropas do Exercito. Na madrugada de uma quarta-feira de maio de 1995, o presidente Fernando Henrique Cardoso ordenou que 1.630 soldados do Exército ocupassem quatro das onze refinarias da Petrobrás.

Se de um lado o PSDB e os petroleiros sabiam o que estava em disputa, a CUT e as demais categorias mesmo percebendo a gravidade do momento, não agiram como deveriam. A Veja foi certeira ao publicar: “o recurso militar se explicava pelo objetivo político do presidente: vencer, de maneira acachapante, a única oposição organizada ao governo, a CUT. Para um governo que pretende acabar com a indexação salarial, extinguir privilégios do funcionalismo público e mexer nas aposentadorias, derrotar o setor mais forte do sindicalismo é uma condição quase que obrigatória.”

Quando os petroleiros, enfraquecidos pelos fortes ataques desferidos por Sergio Motta a mando do Planalto, recorreram à solidariedade dos outros sindicatos, ela não veio, ficaram sós e isolados receberam um golpe fatal.

O Ministro Almir Pazzianoto usou um erro formal, a ausência da assinatura do presidente da Petrobras no acordo salarial para tornar a greve ilegal e aplicou multas astronômicas por cada dia de paralisação, mandando a leilão as sedes históricas dos sindicatos e permitindo a demissão dos dirigentes dos petroleiros. Interpelado pela imprensa, Pazzianoto tentou explicar sua decisão política: ``Os petroleiros caíram num engodo. O acordo não tem validade porque devia ser assinado pelo presidente da Petrobrás e foi assinado pelo ministro das Minas e Energia".

Foi um golpe duro em todos os sindicatos e no Brasil.

Rompido à resistência, vencida a batalha principal, Fernando Henrique quebrou o monopólio do petróleo, vendeu as telefônicas e deu de presente a setores privados a maior empresa de mineração do Mundo, a Vale do Rio Doce.

O preço e a venda da Vale do Rio Doce até hoje são alvos de inúmeras ações judiciais que tramitam no TRF da Primeira Região, cuja relatora, desembargadora Selene Maria de Almeida, disse-me, em uma audiência que fui tratar do caso Belo Monte, que quando recebeu a primeira ação era contra a venda da Empresa. Hoje, passado tanto tempo, mudou de opinião, não quer mais desfazer o negócio, deseja apenas sentenciar de mérito, pondo fim ao feito e determinando que os compradores paguem o preço justo pela compra da estatal, mas nem isso estava conseguindo, face ao número de réus, de meios procrastinatórios e as influências políticas em desfavor da justiça.

Ao derrotar os petroleiros e os demais sindicalistas das estatais, as interferências políticas na gestão da Petrobras passaram a ser uma realidade, junto com ela a relação promiscua de contratadas com esquema de financiamento de campanha.

As negociações entabuladas pelo PSDB, para aprovar a emenda da reeleição e barrar CPI’s que desejavam investigar os desvios nas privatizações, com membros do Congresso Nacional, dando a eles cargos e apoios financeiros eleitorais, iniciou uma página triste e suja da nossa história política, que foi continuada, infelizmente, pelo Partido dos Trabalhadores, em um grau muito maior.

E logo o PT que tinha obrigação de reavaliar as privatizações e justiçar os irmãos sindicalistas abatidos por Fernando Henrique e Sérgio Motta, o mentor e iniciador da maior história de corrupção já vista numa República Democrática do Ocidente.

O povo brasileiro precisa saber dessas histórias, precisa se posicionar com veemência como está fazendo. Cobrar apuração radical da corrupção e punição exemplar de todos os empresários, funcionários e políticos envolvidos. Limpar o PT e o PSDB e até ir para as ruas com o pedido de impeachment da presidente Dilma.

Dilma estará cumprindo um doloroso papel tendo que ficar viva até a sétima geração de políticos viciados em patrimonialismo. Estando no final da história, cabe a nossa Úrsula Igúaran, assistir os filhos que o PSDB e o PT - que  em tudo por tudo são iguais - geraram, esses “Aurelianos” com rabo de porco, serem devorados pelas formigas, como previsto na profecia de Melquíades, fazendo surgir dai uma nova Macondo. nascerá então um país forte, justo, ambientalmente sustentável e livre da corrupção.

Um risco de doença a cada copo de água



Volto ao tema água. Sou obrigado a fazê-lo depois que li, no último final de semana, a coluna Repórter 70, dO Liberal, a importante denúncia de que a água mineral ou água natural vendida no Pará tem pH abaixo de 7 sendo, por isso, bastante ácida, podendo trazer prejuízos à saúde das pessoas.

Todos temos a necessidade de beber no mínimo dois litros de água por dia. O nosso organismo pede-a a todo instante, pois sem a água ninguém vive.  Mas não podemos ingerir qualquer água, pois ela deve ter boa qualidade, livre de impurezas e com um pH neutro, acima de 7, coisa que é difícil de encontrar nas águas servidas pelas redes públicas das cidades onde moramos.

Os serviços públicos de abastecimento de água não são confiáveis para a maioria da população. A água é retirada da fonte contaminada, tratada mal e transportada por uma rede de encanamento envelhecida, cheia de vazamentos. Essa água acaba sendo contaminada no caminho da estação de tratamento à torneira que fica nas pias das nossas casas.

Para ter água de boa qualidade o jeito é recorrer à chamada água mineral, que às vezes é natural, não tendo propriedades exigidas por norma técnica. As cidades paraenses, por terem pouco investimento em abastecimento, são grandes consumidoras dessas águas engarrafadas, consideradas luxo em muitos países.

Resulta-se a venda da água mineral em garrafões e garrafinhas por todos os cantos de todas as cidades do Pará e chegando a custar mais caro que 1 litro de gasolina – antes do último aumento, é claro.  O problema é que toda a água comercializada no Pará tem pH muito ácido e prejudicial à saúde humana.

Porém do que se trata o PH? PH (Potencial Hidrogeniônico) significa a quantidade de íons H+ em uma solução aquosa, indicando a sua acidez, neutralidade ou basicidade. O índice é medido de 0 a 14. O pH acima de 7 indica que a solução está bastante básica. O pH abaixo de 7 significa que a solução está ácida.

Obedecendo à escala logarítmica, a diminuição de 1 ponto no pH significa uma solução 10 vezes mais ácida. Por exemplo, uma solução com pH 3 é 10 vezes mais ácida que uma solução de pH 4, 100 vezes mais ácida que uma solução de pH 5, 1.000 vezes mais ácida que uma solução de pH 6 e 10 mil vezes mais ácida que uma solução com pH 7.

O pH ácido influencia em todos os líquidos corporais, incluindo os líquidos que processam os alimentos e o sangue. Normalmente, o sangue é discretamente básico, com um pH situado na faixa de 7,35 a 7,45. O equilíbrio ácido-base é controlado com precisão pois mesmo um ligeiro desvio da faixa costumeira pode afectar gravemente muitos órgãos.

Este é um grande perigo que estamos correndo, segundo a denúncia dum dos maiores jornais do Estado. O mais incrível é que a nota não foi respondida e até a presente data, os funcionários públicos responsáveis por autorizar e fiscalizar a comercialização dessas águas não deram satisfação aos milhares de consumidores de água mineral.

A Comissão de Meio Ambiente vai acionar os órgãos emissores de licença ambiental, mas é preciso que as Câmaras de Vereadores e as entidades da sociedade civil – que não pode ser servil –  atuem em favor da nossa população sem assistência.


No carnaval serão distribuídas milhões de camisinhas para prevenir DST, mas agora também queremos ter certeza que não estaremos correndo risco de contrair gastrite, úlcera ou mesmo câncer ao ingerir um copo d’água para refrescarmo-nos durante o feriado. 

Artigo publicado originalmente no Estado do Tapajós

Jatene: Aguardaremos gestos para além das folhas de papéis

O discurso do Governador Jatene na tribuna da Assembléia Legislativa pregando união interna das forças politica para reverter o pacto federativo deve ser analisado friamente, sem as paixões da campanha eleitoral. O PSDB, desde o primeiro mandato de Almir Gabriel, fala em união das forças políticas e da reversão do pacto federativo, mas será que o nossos problemas dependem dessas duas questões? Será que esse discursos tem correspondência com a prática? 

Creio que a não união dos políticos paraenses esbarra na forma como o PSDB entende união. União é aceitar que temos pensamentos divergentes, e respeitá-los é a medida da união. Mas o PSDB não consegue conviver com as criticas e diferenças de pensamentos, sempre busca a cooptação e a demonização de quem pensa diferente, assim nunca teremos pontes que nos aproximem. 

Nem falo pelos partidos, como o PV, que na campanha para Governador tratou dos problemas e apresentou soluções para a grave exclusão social e ambiental que excluem um terço dos paraenses do acesso a cidadania, falo da OAB Pará, uma das mais representativas entidades da sociedade paraense. Jatene faz questão de tratar a entidade dos advogados como adversária política e não ouve as críticas justas feitas com conteúdo e responsabilidade que a Instituição apresenta.


Jatene prega o dialoga tardio, recentemente mandou para Assembléia Legislativa e aprovou no apagar da legislatura as reformas que bem quis, instituiu taxa, mudou as regras do COEMA e FEMA, extinguiu cargos, criou secretarias, mudou nome de órgãos públicos, fez um governo a sua imagem e semelhança sem conversar com nenhuma força politica de oposição, depois que tudo foi feito, quando não há mais o que conversar, vai a Assembléia Legislativa e diz que devemos nos unir.
Quem comanda o Pará é Jatene e cabe a ele os gestos em favor do dialogo. 


Quanto ao pacto federativo, alguém tem que dizer para o Governador, mas acredito que ele saiba, que para mudar as regras federativas é necessários que São Paulo, governada pelo PSDB, esteja insatisfeita e Geraldo Alkmim vai muito bem obrigado, ou seja, nos próximos quatro anos não teremos alterações significativas nessas regras e o Pará não depende disso para resolver a distribuição de riqueza interna e nem a prestação de serviço público de qualidade. 


O PV não tem representante na Assembléia Legislativa por uma fatalidade e uma manobra política, mas lançou candidato ao governo, obteve uma votação que empurrou a eleição para o segundo turno e mesmo com as observações feitas aqui, está disposto a sentar, conversar e colaborar, se essa for de fato a intensão sincera do Governador. Aguardaremos gestos para além das folhas de papéis lidas da tribuna do Poder Legislativo.

Tartarugas da Amazônia


Os primeiros humanos a pisarem no solo da Amazônia provavelmente vieram da América Central, esgueiraram-se entre a floresta e as cordilheiras, para depois seguirem pelas margens dos rios deliciando-se da comida farta um cardápio à base de frutas, peixes e muitos quelônios, variedade enorme de proteína animal saborosíssima. Foi essa fartura de alimentos que construiu uma nova sociedade, a civilização varjeira ou condori, como costumava denominar o geológo, profundo conhecedor da região, Gabriel Guerreiro às margens do rio Amazonas e seus afluentes. Uma comunidade adaptada ao movimento de cheia e vazão das águas, aproveitadora de tudo que a natureza fornece, sem agredí-la. Foi assim por muitos anos e durante muito tempo.

Quer saber mais? Leia artigo no Estado do Tapajós

A morte de um traficante

O governo da Indonésia condenou a morte por fuzilamento um brasileiro, julgado e condenado como traficante de drogas. O governo brasileiro pediu clemência, mas o governo da Indonésia negou. No Brasil não se admite pena de morte, a Indonésia porém pune criminosos com fuzilamento. Um choque de civilização. Somos de maioria cristã, os indonésios são muçulmanos. As leis são diferentes e as crenças também.

A presidente Dilma agiu corretamente ao interferir diplomaticamente no caso e pedir que os brasileiros sejam julgados conforme nossos princípios. Precisamos exigir que o mundo avance conforme as melhores e mais avançadas teses humanitárias. O fuzilamento não é mais aceito como pena e punição.

Quanto a fé, devemos respeitar a crença de todos. A nossa é baseada no pacifismo demonstrado por diversas vezes, ao longo da história cristã. Quando exigiram que Jesus reagisse a prisão, ele simplesmente pregou a orelha do soldado ferido pela espada do apóstolo. Também foi enfático ao declarar que seu reino não era desse mundo para dizer que o seu exercito combatia em outra lógica.

Vamos salvar o mundo com exemplos e não pela força, pelas armas, pela morte. Ao longo da história da humanidade, os exemplo de violência nunca construíram civilizações. Vejam o caso de Atenas e Esparta. Da Alemanha. Do Japão. Os maiores avanços vieram pela inteligência e não pela força bruta.

Combater o barbárie, o terrorismo, a força é uma missão importante para a humanidade. Seja pacifista, tem muitas vantagens. Não queira derrotados como inimigos.

Jatene faz reforma e aproxima sua cadeira da máquina registradora

O Governador Simão Jatene elaborou as portas fechadas uma reforma administrativa do estado que muda tudo, mas não muda nada. Dá a impressão de mudanças, mas todos vão perceber que é apenas a arrumação de cozinha sem mudar o cozinheiro e os temperos. Parece um mascate arrumando as mercadorias sem mudar a loja. 

O que o Jatene acaba sempre fazendo é aproximar sua cadeira da máquina registradora para pegar todo o dinheiro novo que entrar no cofre. A estratégia é uma só, aumentar a capacidade de contratar coisas novas, com maior volume de dinheiro, negócios que serão feitos diretamente pelo dono da bodega. 

Olhando a proposta que foi para Assembléia Legislativa, percebe-se que Jatene não está interessado em melhorar o serviço público estadual para servir ao povo. O que ele quer é dinheiro novo, apenas e tão somente isso. 


Um exemplo é taxa de fiscalização do uso dos recursos hídricos, TFRH. A proposta cria um nova fonte de arrecadação desvinculada para poder gastar a vontade. O projeto não tem uma só preocupação com o meio ambiente e com a defesa dos recursos naturais, não prevê comitês de bacias, não respeita o Plano Nacional de Recursos Hídricos. Nada. Apenas um fonte de arrecadação nova. 


Outra mudança é o Fundo Estadual de Meio Ambiente, mudou para permitir gastar o dinheiro arrecadado com o meio ambiente livremente, sem as amarras do controle social, feito através do COEMA. 


Na mesma esteira, vem o caso da CEASA, Jatene vai repassá-la ao município de Belém, se livrar dos custos e destruí-la de uma vez por todas, ou vocês acham que Belém, que não cuida das suas feiras, vai cuidar de uma Central de Abastecimentos? Extingue, funde, cria cargos, departamentos secretarias, sem alterar nada na essência, sem uma participação da sociedade, sem permitir aos seus aliados a expressão de uma única idéia nova, um gênio da enrolação.


Jatene sempre canta a mesma música. Sempre. Em qualquer recepção, está lá o cantor de uma só melodia, mas canta de um jeito que parece uma nova canção de Jorge Vercillio, apenas os áulicos, que alias não são poucos, aplaudem.

Belém expulsa seus filhos

No MBA em direito ambiental, eu e meus colegas estamos debruçados estudando o módulo cidade. Cada vez que leio um capítulo e olho para Belém, fico triste por ver que nada do que está escrito nas leis aqui vigora. Veja, por exemplo, o caso da Cremação.

A Generalíssimo Deodoro, depois da Conselheiro Furtado, era uma área pobre, sem saneamento, sem serviço público, mas pessoas estão ali, vivendo em condições adversas, desde os tempos em que o poeta Antonio Tavernad tinha um sítio na esquina da Conselheiro Furtado. E bote tempo nisso.
Agora, bem recente, a prefeitura chegou por lá com serviços públicos reclamados por essa área da Cremação.

A chegada do Poder Público coincide com o desejo das incorporadoras em erguer prédios na região. O Supermercado Líder também tinha um terreno por lá, sem uso e sem pagamento de IPTU progressivo.

As empresas compraram terrenos baratinhos e começaram a erguer prédios. No tempo que durou a construção dos prédios, nada mudou por ali, a lama, as valas, os sapos, a falta de coleta de lixo, de transporte, de ruas asfaltadas continuou com antes.

Os prédios estão ficando pronto. De repente o Líder começou a construir um supermercado. A prefeitura chegou com as obras reclamadas pelo povo.

A área está sendo urbanizada, pena que o povo que esperou tanto pelas obras está sendo expulso pelo poder do capital. Vão morar em outras áreas sem os serviços públicos que tanto almejaram. Belém está expulsando seus filhos para outras cidades, isso tem um custo social e econômico.  
Pergunto: cadê a função social da cidade e da propriedade urbana que tanto está disciplinado no Estatuto da Cidade quanto no Plano Diretor Urbano de Belém?

A música e a vida

Comprei um toca-disco para voltar a ouvir música em LPs. Havia lido um artigo que comparava as diversas mídia e classificava os LPs como a melhor forma de reprodução do som. Já havia ouvido falar no assunto, mas não dei muita importância. Segui ouvindo música em MP3, a mídia mais moderna de hoje.

De repente, dei ouvido a pesquisa e resolvi investi nos vinis. O som é outra coisa. Muito mais profundo.

Com o toca-disco comprado, fui buscar meus velhos discos, discos que ouvia quando ainda morava com os meus pais. Nesse tempo, tinha uma eletrola portátil. Pegava meus discos e ia para sala, ambiente sempre vazio, salvo quando tinha visita. lá, deitava no assoalho e ouvia música até não querer mais. Vinicius, Dorival, Paulinho da Viola, Caetano, Chico Buarque eram os meus preferidos. Pois sabem que os Lps todos funcionaram!?

E quando os primeiros sons saíram pelas duas caixas, vindo da agulha girando pelo bolachão, meus ouvidos logo sentiram a diferença. O som é mais profundo. A voz do cantor é nítida. Percebi que nem precisava aumentar muito o volume para sentir toda a música. Ela flui em todas as dimensões e com um brilho inimaginável. Entendi de primeira, porque as pessoas, nos dias de hoje, ouvem esses MP3 nas alturas.

Ivan Lins cantando: pede a banda pra tocar um dobrado... Elis Regina interpretando João Bosco e Aldir Blanc. Caetano Veloso falando do seu menino do Rio. Tudo tem mais qualidade quando tocado diretamente dos LPs.

E o prazer de levantar, trocar o disco do Lado A para o Lado B. Enquanto o LP gira no prato, você pode manusear as capas, acompanhar a música com a letra na mão, descobrir de quem é o arranjo, qual a banda que está acompanhando o interprete.

Quando o LP começou a ser desafiado pelas fitas K7, pensei que era uma avanço poder colocar o cartucho no tape deck e ele girar até acabar a última música sem precisar trocar de lado. Depois vieram os CDs. Por último os pen drives. Nunca havia parado para pensar que estávamos perdendo o principal, a qualidade do som.

Até os músicos foram perdem o aprazer em compor e gravar. Também não precisava se esforçar tanto. Pra que se a mídia não conseguia reproduzir aquilo que na execução os ouvidos dos músicos tinham o prazer de desfrutar. As músicas e os músicos foram empobrecendo e se acomodando ao formato compactado em MP3

Enquanto Giberto Gil disparava suas maravilhosas composições na minha eletrola, minha cabeça girava de volta a um tempo onde a vida, as amizades, as pessoas, tinham mais brilho, maior profundidade e muito significado.

 

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