A reforma política ameaça piorar a democracia brasileira


Na reforma política defendo o plebiscito para consultar a população sobre a adoção do parlamentarismo. Enquanto não se constrói as condições políticas para que essa propostas obtenha apoio necessário, sou a favor do sistema distrital misto, com a lista pré-ordenada. É um sistema que permite a combinação de lideranças individuais com partidos fortes. Permite o representante local seja eleito e também aquele que defende ideologias ou causas. Mas admito que esse sistema enfrentará muitas dificuldades para ser aprovado na reforma política que vai a voto na próxima semana na Câmara dos Deputados.

De segunda até quinta-feira, de 25 a 29.05, a Câmara dos Deputados foi convocada com pauta única para votar a reforma política.

Distritão é o sistema eleitoral que pode ser aprovado. O sistema consiste em tantas eleições majoritárias quantas forem as cadeiras parlamentares em disputa. Fala-se em voto único intransferível no lugar de voto majoritário propriamente dito. Tirando essa questão de nomenclatura, o distritão é bem mais simples de explicar e de ser entendido por todos eleitores. Por esse sistema, se elegerão os candidatos que receberem o maior número de votos até o número de cadeiras em disputa. Ponto.

Pela forma como o presidente da Câmara dos Deputados decidiu encaminhar a votação, as chances do "distritão" ser aprovado é bastante razoável. Eduardo Cunha irá botar um a um dos sistemas propostos em votação, começando pelo distrital, lista, distrital misto e por último o "distritão".

Após ter derrotado todos os outros sistemas, pois nenhum deles tem chances de obter 308 votos, restará duas opções finais, o distritão ou o modelo atual. Sendo bem provável que a imensa maioria dos deputados optem pelo distritão por ser muito mais simples que o sistema atual, que requer formação de chapas, coligações e o cálculo do quoeficiente eleitoral.

Da atual composição da Câmara dos Deputados, um número bem pequeno de parlamentares, eleitos pelo voto proporcional, com aplicação do quoeficiente eleitoral, não teriam sucesso com o distritão. A maioria dos deputados já fez suas contas e acredita que o distritão lhes favorece, com a vantagem de deixá-los livres das amarras partidárias, podendo escolher livremente a legenda pela qual deseja disputar as eleições.

Os partidos e políticos que são contra o distritão vão trabalhar para sua não aprovação, tentando impedir que a proposta não alcance o quorum exigido por lei, que é de 308 votos. Se conseguirem derrotá-lo, ainda terão muitas batalhas pela frente nas votações que se sucederão. Impedir o fim das coligações e vetar a doação de campanha por parte de empresas.

Muitas alianças serão feitas antes do plenário votar. O óbice está em que os partidos ou líderes políticos estão com pouca força de convencer seus liderados, pois o que estará em jogo será a continuidade de cada mandato. O deputado votará pensando em seu futuro político, que é um interesse só seu, intransferível e indelegável.




Reforma política sem referendo é um perigo

A reforma política é um título que se dá para todas as iniciativas legislativas tendentes a mudar as regras pelas quais os eleitores escolhem seus representantes e as formas como estes representantes exercem, em nome do povo, o poder. Um negócio para lá de importante.

Se a reforma política deve ser pensada para atender o interesse do dono do poder e não do seu representante. É como se um pessoas fosse eleger um procurador para lhe representar, mas o procurador dissesse quais e como exercerá o poder. Um tremenda inversão de valores. Um perigo total.

Os deputados federais são os nossos representantes e exercem o poder e nosso nome. Isto faz parte da chamada democracia representativa, quando o poder é exercido por meio de representantes.

As correntes que questionam a democracia representativa argumentam que hoje, quando temos inúmeras formas tecnológicas e tantos recursos para consultar os cidadãos, deveríamos avançar para praticar a democracia direta, ouvindo sempre que possível a opinião dos cidadãos, verdadeiros donos do poder.

Os deputados federais estão debatendo mudanças nas regras de suas próprias eleições. Isto não é proibido, eles podem fazer e estão fazendo. Mas e se essas regras forem estabelecidas em desacordo com a vontade dos donos do poder? A democracia, nessa hora, corre tremendo perigo.

Para evitar que os deputados, nossos representantes, abusem do poder que nós lhes concedemos, a Constituição Federal criou alguns mecanismos de controle e exercício da soberania popular. O inciso II, do art. 14, criou o referendo, que é quando uma lei votada pelos congressistas precisa da concordância do eleitor para entrar em vigor.

As leis que mudam as regras pelas quais os eleitores elegem seus representantes não podem escapar do controle de soberania popular e devem ser submetidas ao mecanismo do referendo. Por isso, conclamo os meus seguidores a procurarem os deputados federais do Pará e pedir que eles apresentem uma emenda para prever o referendo, antes que a reforma política seja adotada no país. Posso contar com vocês?

Simão Jatene é Augusto Matraga paraense?

O governador Simão Jatene respondeu pelo facebook as críticas feitas a sua viagem a Argélia e as parcerias comercias equivocadas que comprometem o futuro do Pará, feitas por mim e pelo jornal O Diário do Pará. Li e resolvi analisar parágrafo a parágrafo do que escreveu sua excelência. 
Vamos lá!?

Jatene: Cada dia mais me convenço que, maiores que os desafios a serem enfrentados por quem nasceu ou escolheu a Amazônia para viver, são as oportunidades que ela oferece.

Se convencer das oportunidades que a Amazônia oferecer é uma frase que vem sendo repetida sem de fato gerar maiores consequências. Que oportunidades temos aqui? Oportunidades que se apresentam apenas para quem utiliza a Amazônia para extrair matéria prima com ajuda da elite local?

Jatene; Mas, para isso, urge que chegue o tempo em que o caráter estratégico da Região e, particularmente do Pará - inclusive por sua localização privilegiada - seja desejo e bandeira de luta coletiva: da classe política e da iniciativa privada, de trabalhadores e empresários, de estudantes e professores, de todos, ainda que isso pareça incomodar conhecido grupo político que, lamentavelmente, sempre usou o poder pra "ser" e "ter" e não para defender o Estado.

Não existe um só paraense que não deseje e acredite no caráter estratégico do Pará. Jatene se arvora monopolistas do bem, coisa que na prática não faz. Fala em união e governa com a divisão. Não sabe vive com opiniões contrárias. É perseguidor e vingativo.

O Governador governa para poucos, apenas para o seu grupo e brada que isso é feito pelos outros líderes políticos. Nem o grupo original do PSDB, o chamado grupo da Kombi permanece ao seu lado. Jatene mais parece o Napoleão, da “Revolução dos Bichos” de George Orwell, a ameaçar o Pará, bradando a volta do sr. Jones e alertando contra as ameaças dos bichos de duas patas.

Jatene: Com esse objetivo, no final de semana que passou, diferentemente do que tentou fazer crer parte de conhecida família, através dos seus veículos de promoção partidária e pessoal, viajei até a Argélia, para avançar nas negociações com o maior grupo privado local, de nome "Cevital", no sentido do mesmo implantar aqui no Estado uma grande fábrica de beneficiamento de grãos e produção de alimentos, dando continuidade a tratativas iniciadas ano passado.

Jatene: Fui na quinta-feira e voltei no domingo, e, acompanhado dos secretários de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia e de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca, tivemos oportunidade de visitar vários empreendimentos do grupo, que reafirmou sua disposição de, vencida as formalidades legais, iniciar a construção da fábrica. Os secretários, inclusive, continuaram tratando do assunto e retornam neste início de semana.

O grupo Cevital, como disse O Liberal, implantará aqui apenas um porto para fazer passar os grãos do Mato Grosso, transformando o Pará em apenas uma pssagem privilegiada para os mercados. Os portos de Santarém e Miritituba criaram mais bolsões de pobreza e miséria e Jatene sabe disso, mas longe de falar a verdade, tenta nos iludir com uma fábrica que nunca será implantada, como não foram as 30 mil casas que ele negociou com a Vale, como nunca passou de especulação a ALPA, agora sendo concretizada em Pecém, no Ceará, com apoio do Exbank da Coreia do Sul.

Jatene: O encontro, entretanto, foi marcado por um novo fato especial, que foi a manifestação do presidente do grupo em participar da construção de uma ferrovia que ligue o sul do Pará ao porto de Barcarena. A FEPASA, como vem sendo chamada nos estudos em andamento, que já mostram a sua clara economicidade. Este projeto, aliás, parecia apenas um sonho distante, quando junto com o deputado Marcio Miranda, Presidente da Assembléia, recebi uma comitiva de parlamentares de Mato Grosso.

A ferrovia não existe nem em projeto, é apenas um estudo de viabilidade econômica e a CEVITAL ou outro grupo econômico só irá participar se ela sair do papel. Agora pergunto: como acreditar na capacidade de realização de um governo que está levando três mandatos, 12 anos, para construir um pequeno hospital oncológico infantil?

Jatene; Hoje, o projeto já recebeu manifestação formal de interesse por parte de empresas nacionais e estrangeiras e agora recebe a adesão do grupo Cevital, fortalecendo ainda mais sua viabilidade.
Quem são as empresas nacionais e estrangeiras? Quem? Por favor, precisamos saber os nomes para acreditar e voltar a sonhar.

Amigas e amigos,
Aproveito para registrar e agradecer o apoio do Embaixador do Brasil na Argélia, Eduardo Botelho, que não apenas nos acompanhou na programação, como se mostrou um entusiasta de que se estreite os negócios entre os nossos países.


É o papel de qualquer embaixador fazer isso.

Jatene: Finalmente, sem pretender criar ilusões ou falsas expectativas, reafirmo minha determinação de continuar buscando caminhos para um Pará grande, justo, de gente séria e feliz. Foi isso que nos fez entrar com duas ações no STF, sobre a Lei Kandir. Foi isso que nos motivou criar a Taxa Mineral e a Taxa de Fiscalização dos Recursos Hídricos. É isso que nos motiva.

Neste parágrafo, a verdade. A resposta inteira, incluindo o parágrafo acima, foi construído justamente para iludir e criar falsas ilusões. As ações contra a Lei Kandir não surtirão qualquer efeito. As taxas Mineral foi utilizada em asfalto. A taxa hídrica subverteu a lógica da política nacional e estadual de recurso hídricos.

Jatene: Que Deus me dê sabedoria e força pra que, a semelhança da letra da música do compositor Geraldo Vandré, na trilha sonora do filme "A hora e a vez de Augusto Matraga", inspirado no conto do genial Guimarães Rosa, possa sempre dizer: "muita luta já perdi, muita esperança gastei, até medo já senti e não foi pouquinho não, mas fugir, nunca fugi, nunca abandonei meu chão".


O final é sensacional. O redator escolheu bem, não pela música de Geraldo Vandré, mas pelo personagem Augusto Matraga, que nos por é apresentado por Guimarães Rosa, assim:


“Trata-se da estória de um valentão, Augusto Esteves Matraga, prepotente, opressor, desrespeitador de mulheres e violento ao extremo. Ele nos é apresentado pelo narrador: “alteado, peito largo, vestido de luto, pisando pé dos outros [...]”; “duro, doido, sem detença”; e ainda: “estúrdio, estouvado e sem regra”. Vamos registrar: “sem detença”; “sem regra” – o que se pode traduzir como: sem lei.”

Mais Brasil e Menos Brasília. Mais Cidadão e Menos Contribuição.


Na semana que passou, encerrou-se o prazo para entregar a declaração do imposto de renda. Quem declarou, sentiu o peso da tributação no Brasil, principalmente as pessoas integrantes da classe média e, dentre estas, os profissionais liberais com duas ou mais fontes de renda.

Quando o declarante vai preenchendo o formulário e informando ao fisco seus ganhos e impostos retido na fonte, somado aos descontos previdenciários, pensa que não há retorno de todo essa contribuição a sua cidadania, sente uma angustia muito grande.

Não há como não lembrar que na conta de luz tem muito imposto embutido. No combustível do veículo tem outro tanto de imposto que se paga. No feijão, no arroz, na bebida, em tudo tem muito imposto.

O imposto é uma contribuição para o bem coletivo e nesse sentido não há o que reclamar. É ético contribuir com a sociedade na medida das possibilidades de cada cidadão, mas cobra-se um preço muito alto, com nenhum retorno, dos setores médios da sociedade.

A classe média é privilegiada, dizem alguns, face aos milhões de despossuídos, os miseráveis e da tamanha desigualdade social do nosso país. Por isso não pode reclamar de nada, ao contrário, tem mais é que pagar impostos.

Quem paga muito imposto, como a classe média brasileira, creio, não ficaria triste se a receita desse imposto resultasse em serviços públicos capazes de melhorar as condições de vida das pessoas, diminuir a pobreza e as desigualdades. Mas isso, no nosso país, não acontece, infelizmente.

Quem paga muito imposto, além de ter a certeza plena que seu dinheiro não está colaborando para que outros brasileiros vivam melhor, não tem de volta serviços públicos de qualidade e tem que pagar para ter esses mesmo serviços ofertados pela iniciativa privada.

Paga pela educação dos filhos, pelo plano de saúde, pela universidade privada. Sofre com as estradas mal conservadas ou paga pedágio para trafegar em rodovias um pouco melhores. Não tem coleta de lixo satisfatória e sabe que seu lixo não é reciclado, embora pague imposto para não prejudicar o meio ambiente com os resíduos que é produzido pela sua existência no planeta. Não tem transporte público de qualidade, sendo obrigado a se deslocar em automóveis, mesmo que isso signifique aumento de gases que afetam o clima da Terra.

O pior ainda é saber que todo esse imposto não é capaz de oferecer segurança pública e nem manter em funcionamento um sistema de ressocialização de presos. Os governos não são capazes de garantir o patrimônio e a vida daqueles que pagam muito imposto.

Os governos arrecadam muito e fazem muito pouco, mas é incrível que o pouco que fazem com o dinheiro dos impostos é apresentado para população como se estivessem fazendo um enorme favor ao contribuinte esforçado.

O bolsa família, por exemplo, é um grande programa de distribuição de renda sustentado pelo imposto da classe média, que poderia se orgulhar de estar ajudando pessoas menos privilegiadas a superarem a pobreza, mas o uso político que faz o governo atrai o descontentamento de parte dos brasileiros, que se contrapõe a essa iniciativa humanitária.

Por fim, não tem como não falar da corrupção e do tráfico de influência. São duas terríveis pragas que oneram ainda mais quem verdadeiramente paga imposto.

No primeiro caso, a corrupção, o dinheiro que deveria ir para o bem comum, acaba abastecendo os bolsos de pessoas eleitas para, em nome da sociedade, vigiar a correta aplicação dos recursos públicos.

No segundo caso, o tráfico de influência, faz com que setores que deveriam pagar impostos, não paguem, e aumentando os custos da máquina pública, com isso, o peso da carga tributária fica mal distribuído e pesa muito mais para certos setores que pagam por quem não contribui para sustentar uma máquina pública corrupta e cara.


Finalizo dizendo que não adianta chorar o leite derramado. Vamos pensar daqui para frente e exigir três reformas no Brasil, além de vergonha na cara dos nosso políticos: a reforma política para tornar nosso sistema de governo e processo eleitoral seguro, transparente e democrático; a reforma tributária criando um só imposto com justiça tributária, onde quem ganha mais paga mais e estamos conversados; e a reforma do pacto federativo, com mais Brasil e menos Brasília, o país não suporta tamanha concentração renda nas mãos da união, enquanto os municípios, que tem 47% da obrigações constitucionais com o cidadão, recebem apenas 11% de tudo que se arrecada no país.

*originalmente publicado no Estado do Tapajós.

OAB debate em conferencia a violação aos direitos humanos

O Pará tem números alarmantes em termos de violação aos direitos humanos. Isto se levarmos em conta apenas os crimes dolosos contra a vida. Mas se fizermos uma ampliação do conceito de direitos humanos, analisando, por exemplo, as violações ao direito das pessoas ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, então esses números vão crescer em muito.

Na terça-feira, dia 28.04, a partir das 9h, no Hangar Centro de Convenções, durante a Conferência, terá lugar um fórum, sobre acesso à agua e meio ambiente. Discutiremos casos concretos, dentre os quais, o caso macrodrenagem da bacia do Una. Dos debates sairá um documento denunciando o Estado do Pará por mais esta violação.

No Qatar, ao falar das prevenções de crimes, Jatene ouvirá da platéia: O rei está nú.



O Governador Jatene passou a viver num mundo completamente deslocado do mundo real. Um mundo de fantasias, no qual há emprego, saúde, educação, infra-estrutura e total segurança pública para os cidadãos viverem em paz, construindo suas famílias e preparando o futuro dos seus filhos.

É desse mundo que o Jatene falará em viagem oficial para a Doha, no Qatar, e Cambridge, na Inglaterra.  No 13.º Congresso das Nações Unidas para Prevenção do Crime e Tratamento do Deliquente, (o nome do Governador não consta da programação, as credito que ele vai falar no evento: veja aqui) que ocorrerá em Doha entre os dias 12 a 19 de abril, falará que através do ProPraz conseguiu prevenir crimes urbanos no Pará. É mentira, todos sabemos, acho que os gringos também sabem, mas o Governador acredita piamente que é verdade e falará sem medo de estar cometendo crime algum. 

O que o Governador não dirá é que no dia em que anunciou sua viagem para vender as suas ilusões no estrangeiro, um comissário de bordo da empresa GOL Linhas Áreas, de nome Felipe, hospedado no Hilton Hotel, juntava-se aos inúmeros mortos, vítimas de assaltos, tráfico de drogas, crimes de mando e extermínios aqui no seu Estado. 

Felipe deve ter lido a coluna de O Liberal que o Pará é uma estado seguro, acreditou na propaganda oficial de Jatene e decidiu dar uma voltinha pelos arredores do Hotel, bem ali no Centro da Metrópole da Amazônia, tempo suficiente para encontrar a morte trágica, encontrou a morte pela bala de um revólver, talvez alugado à jovem desses das nossas periferias pobres e dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias a serviço de quadrilhas organizadas. 

O corpo do Comissário de Bordo, que saiu de sua residência em Niterói, vestindo as belas roupas brancas com detalhes laranja, da Companhia a aérea Gol, voltará enrolado num papel alumínio e dentro de uma urna metálica para casa de sua mãe e de seu pai, que o receberão com os corações partidos, sem acreditar que o filho amado, criado com todo carinho, com uma carreira brilhante pela frente, encontrou a morte no estado do Pará, governado a mais de 16 anos pelos tucanos do PSDB.

Espero que outras pessoas ao ouvirem o ilusionista Simão, tenham ao menos a curiosidade de olhar as estáticas oficiais sobre violência urbana no Brasil e descubram que o Pará é um dos estados mais violentos do país.

Quem sabe algum garoto na platéia desse evento, olhando para Simão Jatene falar em prevenção de violência urbana e do sucesso do ProPaz, tenha a coragem que nem um dos políticos daqui tiveram de pronunciar a velha e sincera frase do conto do dinamarquês Hans Christian Andersen, As roupas novas do rei: O Rei está nú. Jatene ouvirá o garoto, suspeitará que a frase é verdadeira, mas continuará sua farsa.

Cooperados de Cametá tem máquina apreendida pela Receita Federal e demitem 20 trabalhadores

O Pará sempre me surpreende negativamente. Fui a Cametá participar da posse da nova diretoria do Partido Verde local e lá fui procurador por pessoas do Projeto Óleos Verdes:

"…o projeto respeita a conservação e o reflorestamento principalmente da espécie nativa da palma chamada Inajà (maximiliana regia), que produz cachos de frutos oleaginosos quase o ano inteiro, por meio de um manejo sustentável desenvolvido por nossos engenheiros agrônomos em colaboração com os produtores locais da Região do Baixo Tocantins – Cametá, Baião, Oeiras , Limoeiro de Ajuru e Igarapé Mirim."

Acesse: Óleos Verdes

A história é inacreditável, mas é assim que aconteceu. Os cooperados conseguiram tecnologia, parceiros, financiamento e compradores. Precisavam então de máquinas adaptadas a extração do óleo de inajá. Os parceiros italianos construíram uma máquina especifica e sem similar nacional. A máquina foi fabricada exclusivamente para atender as necessidades da Óleos Verdes.

Para importar a máquina, o projetos utilizou uma empresa de São Paulo, mas a máquina foi presa pela  Receita Federal no Pará. A Receita alega que os trâmites burocráticos não foram respeitados. Prendeu o equipamento e levou a leilão. A cooperativa perdeu a máquina e sem apoio de ninguém, foi obrigada e demitir 20 trabalhadores, pois para cumprir os contratos está utilizando de aluguel de uma fábrica em Santa Izabel, com custos mais altos.

Fiquei triste, pois isso é inadmissível para um Estado como Pará que precisa gerar emprego e renda diversificando a sua base produtiva. Enquanto o Governo do Estado ficar preso ao boi, madeira e ferro, este Estado não superar a pobreza e a desigualdade.

Propósito para Semana Santa: Fim da Corrupção


Entramos na Semana Santa, tempo dedicado pelos cristãos às orações, reflexões e jejuns, culminando com a paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nada de orações vazias, os tempos atuais exigem dar sentido prático à nossa fé. Proponho dedicarmos esses dias, até a Festa da Páscoa, a reflexões sobre como a corrupção dominou a sociedade brasileira e como podemos nos livrar dela, assumindo compromisso para estirpá-la de todas as partes, inclusive das nossas vidas, tornando a nossa casa e o nosso país limpos e sadios.

A corrupção dominou nossas instituições e, por isso, vivemos uma verdadeira crise moral, tanto na política, quanto na sociedade.

A corrupção política deriva da corrupção social, que é consequência de um coração corrupto. Se o coração do homem fosse puro, não haveria corrupção. “Porque onde está teu tesouro, lá também estará teu coração” (Mt 6,21)

O Brasil está cansado de tanto dinheiro público desviado por empresários, políticos e funcionários públicos. O dinheiro deveria melhorar a vida das pessoas – inclusive a de quem o rouba –, financiando políticas públicas de educação, saúde, geração de emprego e rendas. O dinheiro público que iria melhorar a vida de muitas pessoas, acaba financiando o luxo de poucos.

O mal exemplo dos dirigentes do país espalha-se como rastilho de pólvora por todos os cantos do país. Atingindo o coração das pessoas, influenciando negativamente as relações sociais.

Incomodam o comportamento mentiroso, inescrupuloso, anti-éticos das pessoas em relação as outras.

O que é corrupção?

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa define corrupção como o comportamento desonesto, fraudulento ou ilegal que implica a troca de dinheiro, valores ou serviços em proveito próprio. No sentido figurado é a degradação moral.

Para o Papa Francisco: “A corrupção não é um ato, e sim um estado, estado pessoal e social, no qual a pessoa se acostuma a viver” (Corrupção e pecado, 39).

A corrupção fede. Segundo o Papa, uma sociedade corrupta exala um odor insuportável.

No tempo de Jesus Cristo apareceram pessoas corruptas e Ele as combateu incessantemente. Apontou a corrupção dos fariseus, dos saduceus, dos essênios e dos zelotas. Não os combateu apenas com palavras, mas usou até um açoite para expulsar os vendilhões do Templo de seu Pai.

Jesus Cristo sempre praticava o que pregava.

É hipocrisia apontar a corrupção que ocorre no governo, entre os empresários e políticos e praticá-la no cotidiano, nos pequenos gestos, quando para se extrai proveito de uma situação, deixa-se de cumprir as regras e respeitar o direito das outras pessoas.

Não fiquemos preso ao passado ruim da nossa sociedade. As corrupções que estão acontecendo deve nos desafiar a mudar o país e as nossas vidas.

Devemos desestimular atitude corruptas em nossa sociedade. Vender ou trocar voto por qualquer vantagem pessoal por menor que ela seja, precisa parar. Fraudar licitações. Deixar de entregar o que foi contratado. Superfaturar preços públicos. Criar dificuldade para vender facilidade. Chega de todo esses males que nos maltratam.

Como um verdadeiro cristão, devemos fazer um propósito de usar a verdade em tudo no nosso cotidiano. Limpemos o nosso coração da corrupção praticada até aqui. E como pessoas limpas, ajudemos a construir um sociedade limpa, cheirosa.

Pensei em terminar essa reflexão com as leis penais sobre corrupção e outros crimes conexos. Mas, ao contrário, resolvi seguir com Jesus Cristo, que deixou apenas uma lei, com um único artigo, mas que, sendo observado, livraria a nosa sociedade desse grande mal: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. (Marcos 12:31).

Se amarmos o próximo como a nós mesmo, não há hipótese para a prática de qualquer ato de corrupção, pois a corrupção ofende quem recebe e quem pratica.

Artigo publicado no Estado do Tapajós






 

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